– Sente-se e coma, Brienne – exortou Jaime, enquanto Elmar colocava uma fatia de assado à sua frente, escura e sangrando. – Se Bolton pretendesse nos matar, não estaria desperdiçando suas preciosas ameixas conosco, colocando suas tripas em tamanho perigo. – Fitou a carne e compreendeu que não tinha como cortá-la só com uma mão.
Roose Bolton cortou metodicamente sua carne, fazendo o sangue escorrer pelo prato.
– Senhora Brienne, vai se sentar se lhe disser que espero deixar Sor Jaime prosseguir viagem, tal como você e a Senhora Stark desejam?
– Eu... o senhor nos deixaria prosseguir? – a garota soava cautelosa, mas sentou-se. – Isso é bom, senhor.
– É. No entanto, Lorde Vargo criou-me uma pequena... dificuldade. – Virou os olhos claros para Jaime. – Sabe por que motivo Hoat cortou sua mão?
– Ele gosta de cortar mãos. – O linho que cobria o coto de Jaime estava salpicado de sangue e vinho. – Também gosta de cortar pés. Não parece precisar de um motivo.
– No entanto, tinha um. Hoat é mais astuto do que parece. Nenhum homem comanda por muito tempo uma companhia como os Bravos Companheiros, a menos que tenha alguns miolos. – Bolton apunhalou um bocado de carne com a ponta de seu punhal, colocou-o na boca, mastigou pensativamente, engoliu. – Lorde Vargo abandonou a Casa Lannister porque eu lhe ofereci Harrenhal, uma recompensa mil vezes maior do que qualquer uma que pudesse esperar obter de Lorde Tywin. Sendo estranho a Westeros, ele não sabia que o prêmio estava envenenado.
– A maldição de Harren, o Negro? – zombou Jaime.
– A maldição de Tywin Lannister. – Bolton estendeu a taça e Elmar voltou a enchê-la em silêncio. – O nosso bode devia ter consultado os Tarbeck ou os Reyne. Eles talvez o tivessem prevenido de como o senhor seu pai lida com a traição.
– Não há nenhum Tarbeck ou Reyne – disse Jaime.
– É exatamente aí que eu quero chegar. Não há dúvida de que Lorde Vargo esperava que Lorde Stannis triunfasse em Porto Real, e então confirmasse a sua posse deste castelo como forma de gratidão pelo pequeno papel que ele desempenhou na queda da Casa Lannister. – Soltou um risinho seco. – Temo que ele também saiba pouco sobre Stannis Baratheon. Este podia ter-lhe dado Harrenhal pelos serviços prestados, mas teria dado também um nó corrediço por seus crimes.
– Um nó corrediço é mais simpático do que aquilo que receberá de meu pai.
– A essa altura, ele já chegou à mesma conclusão. Com Stannis derrotado e Renly morto, só uma vitória Stark pode salvá-lo da vingança de Lorde Tywin, mas as chances de isso acontecer estão ficando perigosamente escassas.
– O Rei Robb ganhou todas as batalhas – disse Brienne em tom resoluto, tão obstinadamente leal de discurso como era de atos.
– Ganhou todas as batalhas enquanto perdia os Frey, os Karstark, Winterfell e o Norte. É uma pena que o lobo seja tão novo. Os rapazes de dezesseis anos pensam sempre que são imortais e invencíveis. Um homem mais velho dobraria o joelho, penso eu. Após uma guerra há sempre uma paz, e com a paz há perdões... para gente como Robb Stark, pelo menos. Não para homens como Vargo Hoat. – Bolton dirigiu a Jaime um pequeno sorriso. – Ambos os lados o usaram, mas nenhum derramará uma lágrima com a sua morte. Os Bravos Companheiros não lutaram na Batalha da Água Negra, mas morreram lá mesmo assim.
– Vai me perdoar se não fizer luto?
– Não tem piedade de nosso desgraçado e condenado bode? Ah, mas os deuses devem ter... caso contrário, por que teriam colocado