Viu os estandartes esvoaçando quando os cavaleiros emergiram da verde floresta viva numa longa coluna poeirenta. Dali até o rio, só restavam árvores nuas e enegrecidas, um legado de sua batalha.
– Conta quantos estandartes? – perguntou a Bronn.
O cavaleiro mercenário pôs a mão acima dos olhos para tapar o sol.
– Oito... não, nove.
Tyrion virou-se na sela.
– Pod, venha aqui. Descreva as armas que vê e diga-me que casas representam.
Podrick Payne aproximou-se em seu castrado. Transportava o estandarte real, o grande veado e leão de Joffrey, e lutava com o seu peso. Bronn levava o estandarte de Tyrion, o leão de Lannister em ouro sobre carmesim.
– Não consigo ver. O vento está agitando os estandartes.
– Bronn, diga ao garoto o que vê.
Bronn parecia muito cavaleiro naquele dia, com gibão e manto novos, e o colar flamejante sobre o peito.
– Um sol vermelho em fundo laranja – anunciou – com uma lança espetada na parte de trás.
– Martell – disse imediatamente Podrick Payne, visivelmente aliviado. – A Casa Martell de Lançassolar, senhor. O Príncipe de Dorne.
– Até meu cavalo saberia essa – disse secamente Tyrion. – Mande outra, Bronn.
– Há uma bandeira púrpura com bolas amarelas.
– Limões? – perguntou Pod em tom esperançoso. – Um fundo púrpura coberto de limões? Da Casa Dalt? De... de Limoeiros.
– Pode ser. A próxima é um grande pássaro preto sobre fundo amarelo. Com qualquer coisa rosa ou branca nas garras, é difícil saber o que, com a bandeira tremulando.
– O abutre de Blackmont segura um bebê nas garras – disse Pod. – A Casa Blackmont de Monpreto, sor.
Bronn soltou uma gargalhada.
– Outra vez lendo livros? Os livros vão arruinar seu olho da espada, garoto. Também vejo um crânio. Um estandarte preto.
– O crânio coroado da Casa Manwoody, osso e ouro sobre negro. – Pod soava mais confiante a cada resposta correta. – Os Manwoody de Tumbarreal.
– Três aranhas pretas?
– São escorpiões, sor. Casa Qorgyle de Arenito, três escorpiões negros sobre vermelho.
– Vermelho e amarelo, com uma linha em zigue-zague entre eles.
– As chamas de Toca do Inferno. Casa Uller.
Tyrion estava impressionado.
– Continue, Pod – instou. – Se acertar todos, lhe darei um presente.
– Uma rodela com fatias vermelhas e pretas – disse Bronn. – Há uma mão dourada no centro.
– A Casa Allyrion de Graçadivina.
– Uma galinha vermelha comendo uma cobra, parece.
– Os Gargalen de Costa do Sal. Um basilisco. Sor. Perdão. Não é galinha. Vermelho, com uma serpente negra no bico.
– Muito bem! – exclamou Tyrion. – Mais um, garoto.
Bronn examinou as fileiras de dorneses que se aproximavam.
– O último é uma pena dourada sobre xadrez verde.
– Jordayne da Penha.
Tyrion soltou uma gargalhada.
– Nove, e muito bem. Eu mesmo não teria conseguido identificar a todos. – Aquilo era uma mentira, mas daria ao rapaz certo orgulho, e isso era algo de que ele precisava desesperadamente.
– Senhor – disse Pod, com uma certa timidez –, não há nenhuma liteira.
Tyrion virou vivamente a cabeça. O rapaz tinha razão.
– Doran Martell viaja sempre numa liteira – disse o garoto. – Uma liteira entalhada, com cortinas de seda e sóis nos panos.