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Ela olhou para o cabelo imundo, barbas macilentas e olhos vermelhos, para os lábios secos, rachados e sangrentos. Lobos, voltou a pensar. Como eu. Seria aquela a sua matilha? Como podem ser homens de Robb? Quis bater neles. Quis machucá-los. Quis chorar. Todos pareciam olhá-la, tanto os vivos como os mortos. O velho havia estendido três dedos entre as barras.

– Água – disse –, água.

Arya saltou do cavalo. Não podem me fazer mal, estão morrendo. Tirou sua taça de dentro do rolo de dormir e dirigiu-se à fonte.

– O que você acha que tá fazendo, moço? – disse o habitante da cidade num tom incisivo. – Eles não dizem respeito a você. – Arya levou a taça à boca do peixe. A água derramou-se sobre seus dedos e desceu por sua manga, mas Arya não se mexeu até a taça começar a transbordar. Quando virou-se de volta para as gaiolas, o habitante da cidade pôs-se na sua frente. – Afaste-se deles, moço...

– Ela é uma moça – disse Harwin. – Deixe-a.

– É – disse Limo. – Lorde Beric não gosta de engaiolar homens pra que morram de sede. Por que é que não os enforcam decentemente?

– Não houve nada decente nas coisas que eles fizeram na Cascata do Acrobata – rosnou-lhe o cidadão.

As barras eram próximas demais para introduzir nelas uma taça, mas Harwin e Gendry ajudaram-na a subir na gaiola. Apoiou um pé nas mãos de Harwin, girou para cima dos ombros de Gendry e agarrou-se às barras do topo da gaiola. O gordo virou o rosto para cima e encostou a bochecha no ferro, e Arya despejou a água por cima dele. O homem sugou-a avidamente e deixou que escorresse pela cabeça, rosto e mãos, e depois lambeu a umidade que ficou nas barras. Teria lambido os dedos de Arya se ela não os tivesse afastado. Quando serviu os outros dois da mesma forma, uma multidão tinha se reunido para observá-la.

– O Caçador Louco vai ouvir falar disso – ameaçou um homem. – E não vai gostar. Não vai gostar, não.

– Então vai gostar ainda menos disto. – Anguy colocou uma corda no arco, tirou uma flecha da aljava, encaixou-a, puxou a corda e soltou. O gordo estremeceu quando a flecha se enterrou entre seus queixos, mas a gaiola não o deixou cair. Outras duas flechas acabaram com os outros dois nortenhos. O único som na praça do mercado era o esparramar da água que caía e o zumbir das moscas.

Valar morghulis, pensou Arya.

No lado oriental da praça do mercado erguia-se uma modesta estalagem com paredes caiadas e janelas quebradas. Metade de seu telhado queimara recentemente, mas o buraco havia sido remendado. Por cima da porta pendia uma telha de madeira onde se encontrava pintado um pêssego com uma grande mordida. Desmontaram junto ao estábulo, que se dispunha diagonalmente, e Barba-Verde berrou por cavalariços.

A rechonchuda estalajadeira ruiva uivou de prazer ao vê-los e prontamente passou a zombar deles.

– Barba-Verde, é? Ou Barba-Grisalha? Pela misericórdia da Mãe, quando foi que envelheceu tanto? Limo, é você? Ainda usa o mesmo manto maltrapilho, hã? Eu sei por que é que nunca o lava, ah, se sei. Tem medo de que o mijo saia todo e a gente veja que na verdade é um cavaleiro da Guarda Real! O Tom das Sete, seu bode velho atrevido. Vem visitar aquele seu filho? Bem, veio tarde, ele saiu pra caçar com aquele maldito Caçador. E não me diga que não é seu!

– Ele não tem a minha voz – protestou fracamente Tom.

– Mas tem o seu nariz. Sim, e as outras partes tam’ém, pelo que dizem as garotas. – Então viu Gendry, e deu-lhe um beliscão no rosto. – Olhe para este belo e jovem boi. Espere só a Alyce ver estes braços. Oh, e ainda por cima cora como uma donzela. Bem, a Alyce resolve esse seu problema, rapaz, você vai ver.

Arya nunca tinha visto Gendry ficar tão vermelho.

– Tanásia, deixe o Touro em paz, ele é um bom rapaz – disse Tom Sete-Cordas. – Tudo que precisamos de você é de camas seguras para passar a noite.

– Fale por si, cantor. – Anguy passou o braço em volta de uma jovem e robusta criada, tão sardenta quanto ele.

– Camas, temos – disse a ruiva Tanásia. – Nunca faltaram camas no Pêssego. Mas vão todos à banheira primeiro. Da última vez que seu grupo ficou debaixo do meu teto, deixou as pulgas aqui. – Espetou o dedo no peito do Barba-Verde. – E as suas tam’ém eram verdes. Querem comer?

– Se tem comida sobrando, não diremos não – concedeu Tom.

– Ora, e quando foi que você disse “não” a alguma coisa, Tom? – gritou a mulher. – Vou assar um pouco de carneiro para os seus amigos, e uma velha ratazana seca para você. É mais do que merece, mas se me gargarejar uma ou duas canções, pode ser que eu amoleça. Sempre tive piedade dos aflitos. Venham, venham. Cass, Lanna, ponham as panelas no fogo. Jyzene, ajude-me a tirar a roupa deles, que tam’ém vamos precisar fervê-la.

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