Читаем Gai-jin полностью

Aquele frasco acabou num instante. Ele pressionava Tyrer a beber, fingindo que era um importante costume japonês brindarem um ao outro. Não demorou muito para que Tyrer, na maior felicidade, se pusesse a falar sobre as guerras dos gai-jin, a extensão do império britânico, as mercadorias que fabricavam e em que quantidades. Por causa da sinceridade de Tyrer — a possível sinceridade — e seu “Juro por Deus que é verdade!”, Hiraga decidiu aceitar as informações, mesmo que assustadoras ou absurdas, até ser provado que eram falsas. Uma hora a estudar o atlas escolar e os mapas de Tyrer deixara-o chocado.



— Mas, por favor, como pode país tão pequeno como Inglaterra dominar tantos?



— Há muitas razões. — Tyrer sentia-se relaxado, satisfeito consigo. Esquecendo por um momento de usar palavras e idéias simples, ele explicou, com toda ingenuidade: — Isso mesmo, são muitas as razões. Por causa de nossa educação superior... nosso aprendizado superior, entende?... uma herança superior, uma sábia e benevolente rainha, e nosso forma de governo, singular e especial, com o Parlamento, que nos proporciona leis e liberdades melhores. Ao mesmo tempo, somos abençoados, uma ilha-fortaleza, o mar nos protege, nossas esquadras controlam os caminhos marítimos para o comércio, por isso fomos capazes de desenvolver habilidades superiores na paz, de inventar e experimentar. Como comerciamos mais, temos mais capital, Nakama-san, mais dinheiro do que qualquer outro país... e somos muito hábeis em “dividir para dominar”, uma antiga lei dos romanos...





Ele riu, terminou de tomar o Saquê.



— E o mais importante de tudo, como já falei antes, temos o dobro de canhões, navios e poder de fogo dos dois países seguintes... metade dos navios do mundo é britânica, com tripulantes e artilheiros britânicos.



Há muitas palavras e idéias que não consigo entender, pensou Hiraga, a cabeça girando. Romanos? Quem são eles?



Se metade do que Taira diz é verdade, não, uma centésima parte, então levaremos décadas para alcançá-los. É isso mesmo, refletiu Hiraga, mas com tempo haveremos de alcançá-los. Também vivemos numa ilha. Melhor do que deles, esta é a terra dos deuses, homem por homem somos mais resistentes, mais fortes, melhores guerreiros, temos disciplina e mais coragem; acima de tudo acabaremos vencendo porque não temos medo de morrer!



Mesmo hoje, posso conceber meios de confundi-los que não seria capaz de imaginar há poucos dias.



— Honto — murmurou ele.



— “Honto”, Nakama-san? A verdade? O que é verdadeiro?



— Basta pensar no que você dizer. Tanta verdade. Por favor, dizer antes... Kampai!



— Kampai! É tempo visitarYoshiwara, neh?



Tyrer reprimiu um bocejo de satisfação, cansado de perguntas, mas sentindo-se muito bem.





— Eu não esquecer, Taira-san.— Hiraga ocultou um sorriso. Já combinara que Fujiko não estaria disponível naquela noite. — Terminar saquê, última pergunta, depois ir. Por favor, dizer antes sobre máquinas fazendo máquinas? Como ser possível?



Tyrer lançou-se em outra resposta entusiasmada, explicando que os britânicos eram os líderes no que fora apelidado de Revolução Industrial:



— O motor a vapor, ferrovias, navios de aço e ferro, teares, semeadoras automáticas, produção em massa, colheitadeiras, tudo isso é invenção nossa, canhões de sessenta libras, submersíveis, anestésicos, novos medicamentos, navegação... há quatro anos, estendemos o primeiro fio de telégrafo através do Atlântico, por uma distância de mil léguas ou mais. — Ele decidiu não mencionar que o cabo queimara em menos de um mês e tivera de ser substituído. — Inventamos os geradores elétricos, a iluminação a gás...



Hiraga logo ficou tonto do esforço de concentração e de seu desejo desesperado de compreender tudo, quando não conseguia entender quase nada, mas também porque achava incompreensível que uma autoridade tão importante quanto Taira respondesse a qualquer pergunta que um inimigo fizesse, pois sem dúvida eram inimigos.



Preciso aprender inglês mais depressa, de um jeito ou de outro. E vou aprender. Uma batida gentil na porta, que foi aberta em seguida.





— Por favor, desculpe interromper, Otami-san — disse a criada —, mas o shoya solicita um momento do seu tempo.





Hiraga acenou com a cabeça, disse a Tyrer que voltaria num instante e seguiu a criada para a viela, que estava vazia, e depois até a rua movimentada. Os pouco pedestres que notaram sua presença fizeram reverências polidas, como se dirigia a um mercador, não a um samurai, obedecendo às ordens do shoya. Ótimo.





O shoya esperava numa sala interna, ajoelhado por trás da mesa, o braço apoiado num descanso. Um gato enroscava-se ao seu lado. Ele fez uma reverência.





— Sinto muito incomodá-lo, Otami-san, mas achei que seria melhor falar aqui, caso o gai-jin compreenda nossa língua melhor do que finge.



Hiraga franziu o rosto, acocorou-se, respondeu à reverência, com uma atenção total.



— O que é, Ryoshi-san?



— Há várias coisas que deve saber, Otami-sama.





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