– Robb levantou armas contra seu legítimo rei. Pela lei, isso fez dele um traidor. Os outros morreram novos demais para saber o que é a traição. – Esfregou o nariz. – Sansa, sabe o que aconteceu com Bran em Winterfell?
– Bran caiu. Andava sempre escalando coisas, e por fim caiu. Sempre tememos que isso acontecesse. E Theon Greyjoy matou-o, mas isso foi mais tarde.
– Theon Greyjoy. – Tyrion suspirou. – A senhora sua mãe acusou-me uma vez... bem, não vou enchê-la com os detalhes sórdidos. Acusou-me falsamente. Nunca fiz mal a seu irmão Bran. E não lhe quero nenhum mal.
– É bom saber, senhor. – Ele queria algo dela, mas Sansa não sabia o que era.
Tyrion voltou a esfregar o nariz cheio de escaras e cicatrizes, um feio hábito que atraía o olhar para o seu feio rosto.
– Nunca me perguntou como Robb ou a senhora sua mãe morreram.
– Eu... prefiro não saber. Teria pesadelos.
– Então nada mais direi.
– Isso... isso é gentil de sua parte.
–Ah, sim – disse Tyrion. – Eu sou a própria alma da gentileza. E sei o que são pesadelos.
TYRION
A nova coroa que o pai oferecera à Fé era duas vezes mais alta do que aquela que a multidão tinha esmagado, uma glória de cristal e fio de ouro. A luz do arco-íris refulgia e cintilava a cada vez que o Alto Septão movia a cabeça, mas Tyrion teve de perguntar a si mesmo como o homem conseguia suportar o peso. E até ele tinha de admitir que Joffrey e Margaery formavam um casal régio, ali em pé, lado a lado, entre as altas estátuas douradas do Pai e da Mãe.
A noiva estava adorável, vestida de seda em tom marfim e renda de Myr, com as saias decoradas com padrões florais realçados com pérola-semente. Como viúva de Renly, podia ter usado as cores Baratheon, ouro e negro, mas chegou como uma Tyrell, num manto de donzela composto por uma centena de rosas de pano de ouro cosidas ao veludo verde. Tyrion perguntou a si mesmo se ela seria realmente donzela.
O rei estava quase tão magnífico quanto a noiva, com o seu gibão de um rosa opaco, sob um manto de veludo de um profundo tom de carmesim, decorado com o seu veado e leão. A coroa assentava com facilidade em seus caracóis, ouro sobre ouro.
Devia ter percebido há muito tempo. Jaime nunca mandaria outro homem matar em seu nome, e Cersei era esperta demais para usar uma faca cujo rastro poderia levar até si, mas Joff, o arrogante, perverso e estúpido canalha que era...
Recordou a manhã fria em que tinha descido os íngremes degraus exteriores da biblioteca de Winterfell e encontrou o Príncipe Joffrey gracejando com Cão de Caça sobre matar lobos.