Читаем A Tormenta de Espadas полностью

No topo dos degraus, Davos ouviu um tênue tinir de guizos que só podia anunciar o Cara-Malhada. O bobo da princesa estava à espera dela junto à porta do meistre, como um cão fiel. Mole como massa de pão e de ombros caídos, tinha uma face larga, tatuada com um padrão de quadrados vermelhos e verdes. Cara-Malhada usava um elmo feito de um par de chifres de veado presos a um balde de estanho. Uma dúzia de guizos pendia dos galhos e tilintava quando ele se movia... o que era o mesmo que dizer constantemente, pois o bobo raramente parava quieto. Tinia e retinia para onde quer que fosse; pouco admirava que Pylos o tivesse exilado das aulas de Shireen.

– Debaixo do mar, o peixe velho come o peixe novo – murmurou o bobo a Davos. Balançou a cabeça e seus guizos tiniram, tilintaram e cantaram. – Eu sei, eu sei, ei, ei, ei.

– Aqui em cima os peixes novos ensinam os peixes velhos – disse Davos, que nunca se sentia tão antigo como quando se sentava para tentar ler. Podia ser diferente se tivesse sido o idoso Meistre Cressen a ensiná-lo, mas Pylos era novo o suficiente para ser seu filho.

Foi encontrar o meistre sentado à sua longa mesa de madeira coberta com livros e pergaminhos, diante de três crianças. A Princesa Shireen sentava-se entre os dois garotos. Até agora, Davos conseguia obter grande prazer de ver seu próprio sangue na companhia de uma princesa e de um bastardo real. Devan será agora um senhor, e não apenas um cavaleiro. O Senhor da Mata de Chuva. Davos sentia mais orgulho nisso do que em ostentar o título. E também sabe ler. Sabe ler e escrever, como se tivesse nascido para isso. Pylos nada tinha a dizer sobre a sua diligência, exceto elogios, e o mestre de armas dizia que Devan também se mostrava promissor com a espada e a lança. E é também um garoto devoto.

– Meus irmãos ascenderam ao Salão da Luz, para ocupar seus lugares junto do Senhor – tinha dito Devan quando o pai lhe contou como os quatro irmãos mais velhos tinham morrido. – Rezarei por eles nas fogueiras noturnas e por você também, pai, para que possa caminhar à Luz do Senhor até o fim dos seus dias. – Um bom dia para o senhor, pai – saudou-o o garoto.

Ele é tão parecido com Dale na sua idade, pensou Davos. Era certo que o filho mais velho nunca havia se vestido tão bem como Devan, com os seus trajes de escudeiro, mas partilhavam o mesmo rosto quadrado e simples, os mesmos olhos castanhos e francos, o mesmo cabelo fino, castanho e solto. As bochechas e o queixo de Devan estavam salpicados de pelos louros, uma penugem que teria envergonhado um pêssego respeitável, embora o rapaz se orgulhasse ferozmente de sua “barba”. Tal como Dale se orgulhou da dele, antes. Devan era a mais velha das três crianças que se encontravam à mesa.

Mas Edric Storm era três centímetros mais alto e mais largo de peito e ombros. Nisso era filho de seu pai; e também nunca perdia uma manhã de trabalho com a espada e o escudo. Aqueles que eram suficientemente velhos para terem conhecido Robert e Renly quando crianças diziam que o bastardo se assemelhava mais a eles do que Stannis jamais se assemelhou; os cabelos negros de carvão, os profundos olhos azuis, a boca, o queixo, os malares. Só as orelhas faziam lembrar que a mãe tinha sido uma Florent.

– Sim, bom dia, senhor – ecoou Edric. O garoto podia ser feroz e orgulhoso, mas os meistres, castelões e mestres de armas que o tinham educado o instruíram bem no que dizia respeito à cortesia. – Vem de junto de meu tio? Como passa Sua Graça?

– Bem – mentiu Davos. Para falar a verdade, o rei tinha um ar fatigado, assombrado, mas Davos não viu nenhum motivo para sobrecarregar o garoto com os seus receios. – Espero que não tenha perturbado as suas lições.

– Acabamos de terminar, senhor – disse o Meistre Pylos.

– Estávamos lendo a respeito do Rei Daeron Primeiro. – A Princesa Shireen era uma criança triste, doce e gentil, longe de ser bonita. Stannis dera-lhe o maxilar quadrado e Selyse, as orelhas Florent, e os deuses, em sua cruel sabedoria, tinham achado por bem aumentar a sua falta de graça afligindo-a de escamagris no berço. A doença deixara-lhe um lado do rosto e metade do pescoço cinzento, rachado e duro, embora tanto sua vida quanto sua visão tivessem sido poupadas. – Partiu para a guerra e conquistou Dorne. Chamavam-no de Jovem Dragão.

– Ele adorava falsos deuses – disse Devan –, mas, fora isso, era um grande rei, e muito corajoso em batalha.

– Se era – concordou Edric Storm –, mas o meu pai era mais. O Jovem Dragão nunca venceu três batalhas num só dia.

A princesa olhou-o de olhos esbugalhados.

– O tio Robert venceu três batalhas num só dia?

O bastardo confirmou com a cabeça.

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