– Eles não se perderão – objetou Lorde Walder. – Já atravessaram uma vez, não foi? Quando vieram do norte. Quiseram atravessar, e eu concedi-lhes passagem, e você nunca disse talvez,
–
A boca de Walder Frey moveu-se para dentro e para fora.
– Alimentos,
– Algum vinho para empurrar para baixo – disse Robb. – E sal.
– Pão e sal.
– Agradecemos por sua hospitalidade, senhor – respondeu Robb.
Edmure ecoou as suas palavras, e o mesmo fizeram Grande-Jon, Sor Marq Piper e os outros. Beberam do vinho dele e comeram do seu pão e de sua manteiga. Catelyn provou o vinho e mordiscou um pouco de pão e sentiu-se muito melhor por causa disso.
Sabendo como o velho podia ser mesquinho, esperara que os aposentos que lhes seriam dados fossem frios e tristonhos. Mas os Frey pareciam ter feito mais do que amplos preparativos para eles. A câmara nupcial era grande e estava ricamente mobiliada, dominada por uma grande cama com colchão de penas e colunas nos cantos, esculpidas como torres de castelos. Os reposteiros eram do vermelho e azul Tully, uma cortesia simpática. Tapetes perfumados cobriam um chão de tábuas, e uma janela alta e provida de persianas abria-se para o sul. O quarto de Catelyn era pequeno, mas tinha uma mobília bonita e era confortável, com fogo queimando na lareira. Lothar Coxo assegurou-lhes de que Robb teria uma suíte inteira, como era próprio de um rei.
– Se houver algo que estiver fazendo falta, basta que diga a um dos guardas. – Fez uma reverência e retirou-se, coxeando pesadamente enquanto descia os degraus em espiral.
– Devíamos colocar nossos próprios guardas – disse Catelyn ao irmão. Descansaria mais facilmente com homens Stark e Tully à sua porta. A audiência com Lorde Walder não havia sido tão penosa como temera, mesmo assim ficaria feliz quando aquilo terminasse.
Ouvia o som dos cavalos, embaixo, vindo da longa coluna de homens montados que abria caminho através da ponte, de castelo a castelo. As pedras trovejavam com a passagem de carroças muito carregadas. Catelyn foi até a janela e olhou para fora, a fim de ver a tropa de Robb emergir da gêmea oriental.
– A chuva parece estar diminuindo.
– Agora que estamos aqui dentro. – Edmure estava em pé, junto do fogo, deixando-se lavar pelo calor. – O que achou de Roslin?
– Doce.
– Creio que ela gostou de mim. Por que estava chorando?
– É uma donzela na véspera do casamento. Algumas lágrimas são normais. – Lysa chorou lagos na manhã do casamento de ambas, embora tivesse conseguido estar de olhos secos e radiante quando Jon Arryn pôs seu manto creme e azul sobre os ombros dela.
– Ela é mais bonita do que me atrevia a esperar. – Edmure levantou uma mão antes de Catelyn poder falar. – Eu sei que há coisas mais importantes, poupe-me do sermão, septã. Mesmo assim... viu algumas das outras donzelas que o Frey exibiu? A que tinha o tique? Seria aquilo a doença dos tremores? E aquelas gêmeas tinham mais crateras e acne no rosto do que o Petyr Espinha. Quando vi aquele bando, soube que Roslin seria careca e zarolha, com a inteligência do Guizo e o temperamento de Walder Negro. Mas ela parece tão gentil quanto bela. – Fez uma expressão perplexa. – Por que haveria a velha doninha de recusar que eu escolhesse se não pretendia me empurrar qualquer coisa hedionda?
– A sua queda por um rosto bonito é bem conhecida – relembrou-lhe Catelyn. – Talvez Lorde Walder realmente queira que seja feliz com a sua noiva. –