Quando o cavaleiro foi embora, Dany jogou-se sobre as almofadas, para junto dos dragões. Não pretendera ser tão ríspida com Sor Jorah, mas a contínua suspeita de Mormont finalmente tinha despertado o dragão.
– Vocês têm de ser os meus filhos – disse aos dragões –, os meus três ferozes filhos. Arstan diz que os dragões vivem mais tempo do que os homens, portanto sobreviverão depois de eu morrer.
Drogon curvou o pescoço para mordiscar sua mão. Tinha dentes muito afiados, mas nunca rompia sua pele quando brincavam assim. Dany riu e fez o dragão rolar de um lado para o outro até que ele rugiu, com a cauda estalando como um chicote.
Uma quietude caiu sobre o acampamento, quando a meia-noite chegou e passou. Dany permaneceu em seu pavilhão com as aias, enquanto Arstan Barba-Branca e Belwas, o Forte, montavam guarda.
As horas arrastaram-se sobre patas de tartaruga. Mesmo depois de Jhiqui massagear seus ombros para aliviar a tensão, Dany permaneceu inquieta demais para dormir. Missandei ofereceu-se para cantar uma canção de embalar do Povo Pacífico, mas Dany recusou, movendo a cabeça.
– Traga-me Arstan – disse.
Quando o velho entrou, Dany encontrava-se enrolada em sua pele de
– Não consigo dormir quando há homens morrendo por mim, Barba-Branca – disse. – Fale-me mais a respeito de meu irmão Rhaegar, por favor. Gostei da história que me contou no navio, sobre o modo como ele decidiu que tinha de ser um guerreiro.
– Vossa Graça é bondosa por pedir isso.
– Viserys dizia que nosso irmão ganhou muitos torneios.
Arstan inclinou respeitosamente sua cabeça branca.
– Não é próprio de minha parte negar as palavras de Sua Graça...
– Mas? – disse Dany rispidamente. – Conte-me. Eu ordeno.
– A perícia do Príncipe Rhaegar era inquestionável, mas ele raramente entrava nas liças. Nunca gostou da canção das espadas, como Robert ou Jaime Lannister gostavam. Era algo que tinha de fazer, uma tarefa que o mundo tinha lhe atribuído. Desempenhava-a bem, pois fazia tudo bem. Era essa a sua natureza. Mas não tirava dela nenhuma alegria. Os homens diziam que o Príncipe Rhaegar gostava muito mais da harpa do que da lança.
– Mas ele certamente ganhou
– Quando era novo, Sua Graça participou brilhantemente num torneio em Ponta Tempestade, derrotando Lorde Steffron Baratheon, Lorde Jason Mallister, a Víbora Vermelha de Dorne e um cavaleiro misterioso, que se revelou ser o infame Simon Toyne, chefe dos fora da lei da mata do rei. Quebrou doze lanças contra Sor Arthur Dayne nesse dia.
– Então foi ele o campeão?
– Não, Vossa Graça. Essa honra foi para outro cavaleiro da Guarda Real, que derrubou o Príncipe Rhaegar na disputa final.
Dany não queria ouvir falar de Rhaegar sendo derrubado.
– Mas que torneios meu irmão
– Vossa Graça. – O velho hesitou. – Ele ganhou o maior torneio de todos.
– Que torneio foi esse? – quis saber Dany.
– O torneio que Lorde Whent montou em Harrenhal, ao lado do Olho de Deus, no ano da falsa primavera. Um evento notável. Além das justas, houve um corpo a corpo no estilo antigo, disputado entre sete equipes de cavaleiros, bem como tiro com arco e arremesso de machados, uma corrida de cavalos, um torneio de cantores, um espetáculo de saltimbancos e muitos banquetes e divertimentos. Lorde Whent era tão mão-aberta quanto rico. As pródigas bolsas que proclamou atraíram centenas de competidores. Até o seu real pai se deslocou para Harrenhal, ele que não abandonava a Fortaleza Vermelha havia longos anos. Os maiores senhores e mais poderosos campeões dos Sete Reinos participaram desse torneio, e o Príncipe de Pedra do Dragão superou todos eles.