Os enviados de Yunkai chegaram ao pôr do sol; cinquenta homens montados em magníficos cavalos negros e um montado em um grande camelo branco. Seus elmos eram duas vezes mais altos do que as cabeças, para não esmagarem as bizarras torções, torres e esculturas de cabelos que tinham por baixo. Tingiam de um amarelo vivo as saias e túnicas de linho e cosiam discos de cobre aos mantos.
O homem do camelo branco apresentou-se como Grazdan mo Eraz. Esguio e duro, possuía um sorriso branco semelhante ao que Kraznis tinha ostentado até Drogon queimar seu rosto. Os cabelos estavam puxados para o alto, num chifre de unicórnio que se projetava de sua testa, e o
– Antiga e gloriosa é Yunkai, a rainha das cidades – disse, quando Dany lhe deu as boas-vindas à sua tenda. – Nossas muralhas são fortes; nossos nobres, orgulhosos e ferozes; nosso povo, desprovido de medo. Nosso é o sangue da antiga Ghis, cujo império já era antigo quando Valíria não passava de uma criança chorosa. Foi sensata por se sentar para conversar,
– Ótimo. Meus Imaculados apreciarão um pouco de luta. – Olhou para Verme Cinzento, que assentiu com a cabeça.
Grazdan fez um largo encolher de ombros.
– Se o que deseja é sangue, pois que jorre. Dizem que libertou os seus eunucos. A liberdade tem tanto significado para um Imaculado como um chapéu para um bacalhau. – Sorriu para Verme Cinzento, mas daria para dizer que o eunuco era feito de pedra. – Voltaremos a escravizar aqueles que sobreviverem, e vamos usá-los para arrancar Astapor das mãos do populacho. Também poderemos fazer de você uma escrava, não duvide. Há casas do prazer em Lys e Tyrosh onde os homens pagariam belas somas para dormir com a última Targaryen.
– É bom ver que sabe quem sou – disse Dany em voz branda.
– Orgulho-me de meu conhecimento do selvagem e disparatado ocidente. – Grazdan abriu as mãos, um gesto de conciliação. – E, no entanto, por que temos de falar tão duramente um ao outro? É verdade que você cometeu selvagerias em Astapor, mas nós, os yunkaitas, somos um povo muito clemente. A sua disputa não é conosco, Vossa Graça. Por que desperdiçar suas forças contra as nossas poderosas muralhas, quando precisa de todos os homens para reconquistar o trono de seu pai no longínquo Westeros? Yunkai só lhe deseja sucesso nessa empreitada. E, para provar a verdade dessas palavras, trouxe-lhe um presente. – Bateu palmas, e dois dos membros de sua escolta avançaram, trazendo uma pesada arca de cedro, reforçada com bronze e ouro. Colocaram-na a seus pés. – Cinquenta mil marcos de ouro – disse Grazdan num tom muito doce. – São seus, num gesto de amizade dos Sábios Mestres de Yunkai. Ouro dado livremente é decerto melhor do que saque comprado com sangue. Portanto, digo-lhe, Daenerys Targaryen, aceite esta arca e parta.
Dany abriu a tampa da arca com um pequeno pé enfiado num chinelo. Estava cheia de moedas de ouro, tal como o enviado dissera. Pegou um punhado e deixou-as correr por entre os dedos. Cintilavam, brilhantes, ao rodar e cair; a maioria era recém-cunhada, com uma pirâmide de degraus numa das faces e a harpia de Ghis na outra.
– Muito lindo. Pergunto a mim mesma quantas arcas como esta encontrarei quando tomar sua cidade.
Ele soltou um risinho.
– Nenhuma, pois nunca fará tal coisa.
– Tenho também um presente para você. – Fechou a arca com estrondo. – Três dias. Na manhã do terceiro dia, mande seus escravos para fora da cidade. Todos. A cada homem, mulher e criança será dada uma arma e tanta comida, roupas, moedas e bens quanto ele ou ela puderem transportar. Será permitido a eles que escolham livremente esses objetos de entre as posses de seus donos, como pagamento pelos anos de servidão. Depois de todos os escravos partirem, vocês abrirão os portões e permitirão que meus Imaculados entrem na cidade e a revistem, para assegurar que ninguém permanece em escravidão. Se fizerem isso, Yunkai não será queimada nem saqueada, e nenhum dos membros de seu povo será molestado. Os Sábios Mestres terão a paz que desejam e terão demonstrado serem realmente sábios. O que diz?
– Digo que é louca.
– Ah, sou? – Dany encolheu os ombros e disse: –
Os dragões responderam. Rhaegal silvou e soltou uma baforada de fumaça, Viserion tentou morder e Drogon cuspiu uma chama rodopiante, vermelha e negra. Esta tocou a prega do
– Jurou que eu teria salvo-conduto! – lamentou-se o enviado de Yunkai.