Com a grade fora do caminho, Hodor foi capaz de erguer Meera e Jojen através do alçapão escancarado. Os cranogmanos pegaram Bran pelos braços e puxaram-no também. Fazer Hodor entrar foi a parte difícil. Ele era pesado demais para os Reed o erguerem como tinham feito com Bran. Por fim, Bran disse-lhe para procurar algumas pedras grandes. Disso a ilha não tinha falta, e Hodor conseguiu empilhá-las até a altura suficiente para se agarrar às bordas esfareladas do alçapão e subir por ele.
– Hodor – ofegou em tom feliz, sorrindo para todos eles.
Viram-se num labirinto de pequenas celas, escuras e vazias, mas Meera explorou até encontrar o caminho de volta aos degraus. Quanto mais subiam, melhor era a luz; no terceiro andar a espessa parede exterior era perfurada por seteiras, o quarto tinha janelas de verdade e o quinto e último era um grande aposento redondo com portas em arco em três lados que se abriam para pequenas varandas de pedra. No quarto ao lado ficava uma latrina, empoleirada por cima de uma calha de escoamento que descarregava diretamente no lago.
Quando chegaram ao telhado, o céu estava completamente encoberto, e as nuvens para oeste mostravam-se negras. O vento soprava com tanta força que levantou o manto de Bran e fez com que ondulasse e batesse.
– Hodor – respondeu Hodor ao barulho.
Meera descreveu um círculo.
– Sinto-me quase uma gigante, aqui por cima do mundo.
– Há árvores no Gargalo que são duas vezes mais altas do que isto – lembrou-lhe o irmão.
– Sim, mas têm outras árvores em volta com a mesma altura – disse Meera. – O mundo no Gargalo é apertado, e o céu é muito menor. Aqui... sente este vento, irmão? E olhe como o mundo se tornou grande.
Era verdade, dali via-se a uma longa distância. A sul erguiam-se os sopés dos montes, com as montanhas cinzentas e verdes mais atrás. As planícies onduladas da Nova Dádiva estendiam-se a perder de vista em todas as outras direções.
– Tinha esperança de conseguirmos ver a Muralha daqui – disse Bran, desapontado. – Foi besteira, ainda devemos estar a cinquenta léguas de distância. – Só de falar nisso sentia-se cansado e com frio também. – Jojen, o que faremos quando chegarmos à Muralha? Meu tio contava sempre como ela é grande. Duzentos metros de altura, e tão espessa na base que os portões são como túneis abertos no gelo. Como é que vamos passar para ir à procura do corvo dos três olhos?
– Há castelos abandonados ao longo da Muralha, segundo ouvi dizer – respondeu Jojen. – Fortalezas construídas pela Patrulha da Noite, mas agora deixadas sem guarnição. Uma delas pode ser o caminho para passar.
A Velha Ama chamava-os de
– Você os conhece melhor do que eu, Bran. Talvez devesse ser você o Primeiro Patrulheiro. Eu fico aqui no seu lugar. – Mas isso foi antes de Bran cair. Antes de ficar mutilado. Quando acordou aleijado de seu sono, o tio já tinha retornado para Castelo Negro.
– Meu tio dizia que os portões eram selados com gelo e pedras sempre que um castelo tinha de ser abandonado – disse Bran.
– Então teremos de abri-los de novo – disse Meera.
Aquilo deixou-o inquieto.
– Não devíamos fazer isso. Podem entrar coisas más vindas do outro lado. Devíamos simplesmente ir a Castelo Negro e dizer ao Senhor Comandante para nos deixar passar.
– Vossa Graça – disse Jojen –, temos de evitar Castelo Negro, tal como evitamos a estrada do rei. Há centenas de homens lá.
– Homens da Patrulha da Noite – disse Bran. – Eles prestam juramentos, de não participar de guerras ou algo parecido.
– Sim – disse Jojen –, mas bastaria um homem disposto a quebrar seu juramento para vender o seu segredo aos homens de ferro ou ao Bastardo de Bolton. E não temos certeza se a Patrulha concordaria em nos deixar passar. Podiam decidir nos reter ou nos mandar de volta.
– Mas meu pai era amigo da Patrulha da Noite, e meu tio é Primeiro Patrulheiro. Talvez ele saiba onde vive o corvo de três olhos. E Jon também está em Castelo Negro. – Bran acalentara a esperança de voltar a ver Jon e o tio. Os últimos irmãos negros a visitar Winterfell disseram que Benjen Stark tinha desaparecido durante uma patrulha, mas certamente já teria encontrado uma forma de voltar. – Aposto que a Patrulha até nos daria cavalos – prosseguiu.
– Silêncio. – Jojen fez sombra com a mão sobre os olhos e olhou na direção do sol poente. – Olhem. Há alguma coisa... um cavaleiro, parece. Conseguem vê-lo?