– Só Atalaialeste, Castelo Negro e Torre Sombria tinham guarnições quando eu deixei a Muralha. Não sei dizer o que Bowen Marsh ou Sor Denys poderão ter feito desde então.
– Quantos corvos permanecem dentro dos castelos? – perguntou Styr.
– Quinhentos em Castelo Negro. Duzentos na Torre Sombria, talvez trezentos em Atalaialeste. – Jon havia acrescentado trezentos homens à contagem.
Mas Jarl não se deixou enganar.
– Ele está mentindo – disse a Styr. – Ou então incluiu aqueles que se perderam no Punho.
– Corvo – avisou o Magnar –, não me tome por Mance Rayder. Se mentir para mim, corto sua língua.
– Não sou nenhum corvo, e ninguém me chama de mentiroso. – Jon flexionou os dedos de sua mão da espada.
Magnar de Thenn estudou Jon com seus frios olhos cinzentos.
– Vamos conhecer seus números em breve – disse após um momento. – Vá. Logo mando chamar você se tiver mais perguntas.
Jon inclinou a cabeça rigidamente e partiu.
Passou pelos Thenns, sentados sobre seus elmos arredondados de bronze, em volta das fogueiras.
– Ela pegou uma tocha e foi para lá – disse-lhe Grigg, o Bode, apontando para o fundo da caverna.
Jon seguiu na direção indicada e deu por si numa sombria sala interior, vagueando um labirinto de colunas e estalactites.
– Ygritte?
– Aqui – veio a voz dela, com um leve eco.
Jon teve de engatinhar uma dúzia de passos até a caverna se abrir à sua volta. Quando voltou a ficar em pé, os olhos precisaram de um momento para se ajustarem. Ygritte tinha trazido uma tocha, mas não havia nenhuma outra luz. Ela encontrava-se junto a uma pequena queda-d’água que jorrava de uma fissura na rocha para uma larga lagoa escura. As chamas amarelas e laranja brilhavam na água verde-clara.
– O que você está fazendo aqui? – perguntou a ela.
– Ouvi água. Quis ver pra onde ia a gruta. – Apontou com a tocha. – Há uma passagem que desce mais. Segui-a durante cem passos antes de voltar.
– Um beco sem saída?
– Não sabe nada, Jon Snow. Continuava, e continuava, e continuava. Há centenas de cavernas nestes montes, e lá embaixo todas se juntam. Há até um caminho por baixo da Muralha. O Caminho de Gorne.
– Gorne – disse Jon. – Gorne foi Rei-para-lá-da-Muralha.
– Sim – disse Ygritte. – Com o irmão Gendel, há três mil anos. Levaram uma tropa do povo livre pelas cavernas e a patrulha não percebeu. Mas quando saíram, os lobos de Winterfell caíram sobre eles.
– Houve uma batalha – recordou Jon. – Gorne matou o Rei do Norte, mas o filho deste pegou o estandarte e tomou a coroa de sua cabeça, e abateu Gorne, por sua vez.
– E o som das espadas acordou os corvos em seus castelos, e saíram todos de preto pra pegar o povo livre pela retaguarda.
– Sim. Gendel tinha o rei ao sul, os Umber a leste e a Patrulha a norte. Ele também morreu.