– Não sabe nada, Jon Snow. Gendel não morreu. Ele abriu caminho com a espada,
Tudo que Jon ouvia era a água que caía e o tênue crepitar das chamas.
– Esse caminho por baixo da Muralha também se perdeu?
– Alguns procuraram-no. Aqueles que descem demais encontram os filhos de Gendel, e os filhos de Gendel sempre tão com fome. – Sorrindo, encaixou cuidadosamente a tocha num entalhe de rocha e dirigiu-se a ele. – No escuro não há nada pra comer além de carne – sussurrou, mordendo-lhe o pescoço.
Jon enfiou o nariz nos cabelos dela e encheu-o com seu cheiro.
– Parece a Velha Ama contando a Bran uma história de monstros.
Ygritte deu um murro no ombro dele.
– Ah, sou uma velha, é?
– É mais velha do que eu.
– Sim, e mais sábia. Você não sabe nada, Jon Snow. – Empurrou-o e contorceu-se para fora de seu vestido de pele de coelho.
– O que você está fazendo?
– Estou mostrando a idade que tenho. – Desatou a camisa de pele de veado, atirou-a para o lado, tirou pela cabeça todas as três camisolas de lã que usava por baixo. – Acho que devia me ver.
– Nós não devíamos...
–
– Sei que desejo você – ouviu sua própria voz dizer, esquecido de todos os votos e honra. Ela estava na sua frente, nua como no dia em que nasceu, e ele estava duro como a rocha que os rodeava. Àquela altura já tinha estado dentro dela meia centena de vezes, mas sempre por baixo das peles, com outras pessoas em volta. Nunca vira como ela era bela. As pernas de Ygritte eram magras, mas bem torneadas; os pelos no local onde as coxas se juntavam, de um vermelho mais vivo do que os que tinha na cabeça.
– Adoro seu cheiro – disse. – Adoro seus cabelos vermelhos. Adoro sua boca, e o jeito como me beija. Adoro seu sorriso. Adoro seus peitos. – Beijou-os, primeiro um e depois o outro. – Adoro suas pernas magras, e o que está entre elas. – Ajoelhou-se para beijá-la ali, a princípio levemente em seu monte de vênus, mas Ygritte abriu um pouco as pernas e ele viu o cor-de-rosa no interior e beijou-o também, e saboreou-o. Ela soltou um pequeno arquejo.
– Se adora tudo isso, por que é que ainda tá vestido? – sussurrou. – Não sabe nada, Jon Snow.
Mais tarde, ela ficou quase acanhada, ou tão acanhada quanto Ygritte poderia ficar.
– Aquela coisa que você fez – disse, deitada com ele na pilha de roupas. – Com a sua... boca. – Hesitou. – É isso... é isso que os senhores fazem com suas senhoras, lá no sul?
– Acho que não. – Nunca ninguém havia dito a Jon o que os senhores faziam com as suas senhoras. – Eu só... quis beijar ali, foi só isso. Parece que você gostou.
– Sim. Eu... gostei um bocadinho. Ninguém lhe ensinou aquilo?
– Não houve ninguém – confessou ele. – Só você.
– Um donzelo – brincou ela. – Era um donzelo.
Ele deu-lhe um beliscão brincalhão no mamilo mais próximo.
– Eu era um homem da Patrulha da Noite. –
Ygritte apoiou-se num cotovelo.
– Tenho dezenove anos, sou uma esposa de lanças e beijada pelo fogo. Como poderia ser donzela?
– Quem foi?
– Um rapaz numa festa, há cinco anos. Tinha vindo comerciar, com os irmãos, e seus cabelos eram como os meus, beijados pelo fogo, por isso pensei que ele devia ter sorte. Mas era fraco. Quando voltou pra me raptar, o Lança-Longa quebrou o braço dele e botou-o para correr, e ele não voltou a tentar, nem uma vez.
– Então não foi o Lança-Longa? – Jon estava aliviado. Gostava do Lança-Longa, com seu rosto simples e modos amigáveis.
Ela esmurrou-o.
– Isso é nojento. Você se deitaria com a sua irmã?
– Lança-Longa não é seu irmão.