Читаем Gai-jin полностью

Os dois homens ficaram olhando para o maço de cartas, atordoados, dominados pelo medo. A cabine era claustrofóbica. Malcolm não disse nada, limitou-se a observar Jamie, que também se manteve calado, os dois se sentindo esgotados. Depois, tomando a decisão por ele, os dedos trêmulos de Jamie puxaram o cordão, mas isso levou Malcolm a tomar sua própria decisão. Ele se inclinou para pegar o maço de cartas.



— Não, Jamie, não deve fazer isso.



— É o único jeito, tai-pan.



— Não é, não.



Malcolm ajeitou o cordão, aliviado ao constatar que o lacre não fora rompido, alisou as cartas, e largou o maço sobre o outro, o contato odioso.



— Não é certo — murmurou ele, a voz tão fraca quanto os joelhos, desprezando sua fraqueza... mas seria fraqueza? — Nunca me perdoaria se você... se você fosse apanhado e eu não tenho a coragem... além de achar que não é certo.



O rosto de Jamie ficara molhado de suor.



— Certo ou não, ninguém vai saber. Se não fizermos isso, você não terá a menor chance. Talvez possamos encontrar um capitão... até mesmo da Brock, um navio deles é esperado na próxima semana.



Malcolm sacudiu a cabeça, a mente vazia. Uma onda jogou a lancha contra o cais, fazendo os cabos rangerem. Com um esforço, ele se concentrou. Durante toda a sua vida, sempre que se encontrava num dilema, perguntava a si mesmo o que faria Dirk Struan, o tai-pan... mas nunca obtivera uma resposta concreta. Ao final, exausto, ele indagou:



— O que ele faria, Jamie... o que Dirk Struan faria?



No mesmo instante, a memória de Jamie conjurou o gigante impetuoso, nas poucas vezes em que o vira, ou estivera em sua companhia por alguns minutos... ainda jovem, quando começara a trabalhar na companhia.



— Ele... — Depois de um momento, um sorriso começou a se insinuar. — Ele faria... Dirk... é isso mesmo. Acho que ele mandaria todo mundo desembarcar, e sairia sozinho com a lancha, para “testar alguma coisa que parece errada”, e depois... depois que estivesse longe da praia, em águas profundas, abriria calmamente as válvulas e, enquanto a água entrasse, verificaria se toda esta correspondência estava bem presa, sem o risco de se soltar e flutuar, em seguida iria para a popa, acenderia um charuto, esperaria até a lancha afundar, e nadaria para a praia Ele interferiu com a correspondência? “Mas que idéia, rapaz!” — O sorriso de Jamie era agora seráfico. — Por que não?



Antes da Tokaidô, Malcolm era um excelente nadador. Agora, sabia que afundaria como uma âncora.



— Eu nunca chegaria à praia.



— Mas eu não teria dificuldade, tai-pan.



— Acontece que o problema não é seu, Jamie; e mesmo que o fizesse, isso só me concederia cerca de uma semana, o que não seria grande coisa. Não podemos interferir com o correio real. Vamos esquecer que tudo isso aconteceu. Certo? — Malcolm estendeu a mão. — Você é um amigo de verdade, o melhor que já tive. Lamento tê-lo tratado tão mal.



Jamie sacudiu a mão dele com vigor.



— Não me tratou tão mal assim e mereci tudo o que disse. Não houve conseqüências. Tai-pan... por favor, seria muito fácil.



— Obrigado, mas não.



Pela décima milésima vez, Malcolm compreendeu que não era Dirk Struan e nunca poderia fazer tudo aquilo de que o tai-pan era capaz; naquele caso, remover as cartas sem hesitação ou afundar toda a correspondência. Antes da Tokaidô talvez eu ousasse, mas agora... agora é cinqüenta vezes pior. Tokaidô, sempre a Tokaidô, pensou ele, a palavra gravada a fogo em sua mente, tão frustrado que sentia vontade de gritar.



— Tenho de enfrentar o problema sozinho.



Ele desembarcou, foi para sua suíte, claudicando. O vidro pequeno estava cheio, mas ele não tomou nada, tornou a guardá-lo na gaveta. Sentindo bastante dor, puxou sua cadeira para mais perto da janela e desabou nela, aliviado.



Vou vencer, prometeu a si mesmo. Por favor, Deus, ajude-me. Não sei como, mas hei de ter Angelique, dominar a dor, o ópio, a Tokaidô, Tess, vou vencer de qualquer maneira...



Seu sono foi profundo e repousante. Quando acordou, deparou com Angelique, sentada perto, sorrindo-lhe.



— Boa tarde, querido. Puxa, você dormiu muito bem! Já é quase hora de trocar de roupa para a festa. — Os olhos de Angelique faiscavam. Ela se adiantou, beijou-o, ajoelhou-se ao seu lado. — Como se sente?



— Ver você me deixa muito feliz.



A voz de Malcolm estava impregnada de amor, mas não ocultava a preocupação interior.



Isso a decidiu. Era importante tirá-lo de sua seriedade habitual, a fim de que pudesse desfrutar a festa naquela noite, que prometera que seria uma comemoração.



— Tenho uma surpresa para você — anunciou Angelique, maliciosa.



— O que é?



Ela se levantou, começou a rodopiar, como se estivesse dançando, o vestido de tarde sibilando. De repente, soltou uma risada e exclamou:



— Olhe!



Angelique levantou as saias e as anáguas, revelando toda a extensão das pernas perfeitas, realçadas por meias de seda, ligas elegantes sob os joelhos, uma calcinha rendada em diversas camadas. Ele esperava pelo calção tradicional, que tudo encobria. A visão deixou-o sem fôlego.



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