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A aglomeração era maior junto das tendas para banquetes. As largas abas estavam atadas, abertas, e os homens entravam e saíam com cornos e canecas nas mãos, alguns com seguidoras de acampamentos. Arya deu uma olhada para dentro quando Cão de Caça passou pela primeira das três tendas e viu centenas de homens aglomerados nos bancos e acotovelando-se em volta dos barris de hidromel, cerveja e vinho. Lá dentro quase não havia espaço para as pessoas se moverem, mas ninguém parecia se importar. Pelo menos estavam quentes e secas. Arya, fria e molhada, teve inveja delas. Alguns homens até cantavam. A chuvinha fina e brumosa fumegava em volta da porta devido ao calor que escapava do interior.

– Ao Lorde Edmure e à Senhora Roslin – ouviu uma voz gritar. Todos beberam, e alguém gritou:

– Ao Jovem Lobo e à Rainha Jeyne.

Quem é a Rainha Jeyne?, interrogou-se Arya por um breve momento. A única rainha que conhecia era Cersei.

Buracos para fogueiras tinham sido escavados fora das tendas para banquetes, abrigadas sob rudes dosséis de madeira entrelaçada e peles que mantinham a chuva afastada, desde que caísse na vertical. Mas o vento soprava do rio, e entrava chuva suficiente para fazer as fogueiras silvarem e tremularem. Criados viravam peças de carne enfiadas em espetos por cima das chamas. Os cheiros encheram a boca de Arya de água.

– Não devíamos parar? – perguntou a Sandor Clegane. – Há nortenhos nas tendas. – Reconhecia-os pelas barbas, pelos rostos, pelos mantos de pele de urso e de foca, pelos brindes parcialmente escutados e pelas canções que cantavam; homens Karstark, Umber e dos clãs de montanha. – Aposto que também há homens de Winterfell. – Homens do pai, homens do Jovem Lobo, os lobos gigantes de Stark.

– Seu irmão está no castelo – disse ele. – Sua mãe também. Quer ir até eles ou não?

– Sim – disse ela. – Mas e o Sedgekins? – O sargento tinha lhes falado para perguntar por Sedgekins.

– O Sedgekins pode se foder com um atiçador quente. – Clegane sacudiu o chicote, e mandou-o assobiando através da chuva suave até morder o flanco de um cavalo. – É o seu maldito irmão que eu procuro.



CATELYN

Os tambores retumbavam, retumbavam, retumbavam, e a cabeça de Catelyn retumbava com eles. As gaitas gemiam e as flautas soltavam trinados na galeria dos músicos na extremidade do salão; rabecas guinchavam, trombetas soavam, as gaitas de foles gritavam uma melodia animada, mas era a batida dos tambores que dominava tudo. Os sons ecoavam nas vigas, enquanto os convidados comiam, bebiam e gritavam uns para os outros, logo abaixo. Walder Frey deve ser surdo como uma porta para chamar isso de música. Catelyn bebericou uma taça de vinho e viu Guizo pavonear-se ao som de “Alysanne”. Pelo menos julgava que se pretendia que fosse “Alysanne”. Com aqueles músicos, podia perfeitamente ter sido “O urso e a bela donzela”.

Lá fora ainda chovia, mas dentro das Gêmeas o ar estava pesado e quente. Um fogo rugia na lareira, e filas de archotes ardiam, fumacentas, em arandelas de ferro presas às paredes. Mas a maior parte do calor vinha dos corpos dos convidados do casamento, tão apertados ao longo dos bancos que cada homem que tentava levantar a sua taça dava cotoveladas nas costelas do vizinho.

Até no estrado estavam mais próximos do que Catelyn teria desejado. Tinha sido colocada entre Sor Ryman Frey e Roose Bolton, e ficara com o nariz cheio de ambos. Sor Ryman bebia como se o vinho estivesse prestes a acabar em Westeros, e suava-o todo pelo sovaco. O homem tinha tomado banho em água de limão, achava, mas nenhum limão era capaz de disfarçar tanto suor acre. Roose Bolton tinha um cheiro mais doce, mas que não era mais agradável. Preferia bebericar hipocraz a vinho ou hidromel, e pouco comia.

Catelyn não podia censurá-lo pela falta de apetite. O banquete de casamento começou com uma sopa aguada de alho-poró, seguida por uma salada de feijão verde, cebola e beterraba, lúcio escaldado em leite de amêndoa, montinhos de purê de nabo que já estava frio antes de chegar à mesa, geleia de miolos de vitela e carne de vaca fibrosa cozida em leite. Era um pobre repasto para um rei, e os miolos de vitela embrulharam o estômago de Catelyn. Mas Robb comeu sem protestar, e o irmão de Catelyn estava embevecido demais pela noiva para prestar muita atenção à comida.

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