– Sim. – Não parecia muito orgulhoso do fato. – Estive no Vau do Saltimbanco. Quando Lorde Beric caiu no rio, arrastei-o para a margem, para que não se afogasse, e fiquei sobre ele de espada na mão. Mas não precisei lutar. Lorde Beric tinha uma lança quebrada espetada nele, por isso ninguém nos incomodou. Quando reagrupamos, o Gergen Verde ajudou a colocar sua senhoria de volta no cavalo.
Arya estava se lembrando do cavalariço em Porto Real. Depois dele houve aquele guarda cuja garganta tinha cortado em Harrenhal, e os homens de Sor Amory, naquela fortaleza junto ao lago. Não sabia se Weese e Chiswyck contavam, ou aqueles que tinham morrido por conta da sopa de doninha... de repente, sentiu-se muito triste.
– Também chamavam meu pai de Ned – disse.
– Eu sei. Vi-o no torneio da Mão. Queria me aproximar e falar com ele, mas não consegui pensar no que dizer. – Ned estremeceu sob o manto, uma faixa encharcada roxo-clara. – Você estava no torneio? Vi sua irmã lá. Sor Loras Tyrell deu-lhe uma rosa.
– Ela me contou. – Tudo parecia ter acontecido há tanto tempo. – Jeyne Poole, a amiga dela, apaixonou-se por seu Lorde Beric.
– Ele está prometido à minha tia. – Ned fez uma expressão de desconforto. – Mas isso foi antes. Antes de ele...
...
– Senhora? – disse Ned por fim. – Você tem um irmão ilegítimo... Jon Snow?
– Ele está com a Patrulha da Noite, na Muralha. –
– Ele é meu irmão de leite.
– Irmão? – Arya não compreendia. – Mas você é de Dorne. Como pode ser do sangue de Jon?
– Irmãos
Arya não entendeu.
– Quem é Wylla?
– A mãe de Jon Snow. Ele nunca lhe disse? Ela esteve a nosso serviço durante anos e mais anos. Desde antes de eu nascer.
– Jon nunca conheceu a mãe. Nem sequer sabe o nome dela. – Arya deu a Ned um olhar desconfiado. – Conhece-a? Mesmo? –
– Wylla foi a minha ama de leite – repetiu o rapaz com solenidade. – Juro pela honra da minha Casa.
– Você tem uma Casa? – a pergunta foi estúpida; ele era um escudeiro, é claro que tinha uma Casa. – Quem
– Senhora? – Ned fez uma expressão embaraçada. – Sou Edric Dayne, o... o Senhor de Tombastela.
Atrás deles, Gendry gemeu.
– Senhores e senhoras – proclamou, num tom de repugnância. Arya arrancou uma maçã apodrecida de um galho de passagem e atirou-a em Gendry, fazendo-a quicar em sua dura cabeça de touro. – Ai – disse ele. – Isso doeu. – Tateou a pele por cima do olho. – Que tipo de senhora atira maçãs nas pessoas?
– O tipo mau – disse Arya, de repente arrependida. Virou-se de novo para Ned. – Lamento não saber quem você era. Senhor.
– A culpa é minha, senhora. – Ele era muito educado.
– Havia um Arthur Dayne – lembrou-se. – Aquele que chamavam de Espada da Manhã.
– Meu pai era o irmão mais velho de Sor Arthur. A Senhora Ashara era minha tia. Mas nunca a conheci. Ela jogou-se ao mar do alto da Espada Branca antes de eu nascer.
– Por que ela faria uma coisa dessas? – perguntou Arya, surpreendida.
Ned fez uma expressão de desconfiança. Talvez tivesse receio de que ela atirasse qualquer coisa nele.
– O senhor seu pai nunca falou dela? – disse. – Da Senhora Ashara Dayne, de Tombastela?
– Não. Ele a conhecia?
– Antes de Robert ser rei. Ela conheceu o seu pai e os irmãos em Harrenhal, durante o ano da falsa primavera.
– Oh. – Arya não sabia o que mais dizer. – Mas por que foi que ela se jogou no mar?
– Teve o coração partido.
Sansa teria suspirado e derramado uma lágrima pelo amor verdadeiro, mas Arya achava que era simplesmente uma estupidez. Mas não podia dizer isso a Ned, não podia dizer tal coisa sobre a tia do rapaz.
– Alguém o partiu?
Ele hesitou.
– Talvez não me caiba...
–
O rapaz olhou-a de maneira desconfortável.