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Cinco dias mais tarde, os batedores retornaram para preveni-los de que as águas da enchente tinham arrastado a ponte de madeira em Feirajusta. Galbart Glover e dois de seus homens mais ousados tentaram levar as montarias a passar a nado o turbulento Ramo Azul em Vaucarneiro. Dois dos cavalos tinham sido arrastados e afogados, juntamente com um dos cavaleiros; o próprio Glover conseguiu se agarrar a um rochedo até que o puxassem para a margem.

– O rio não corria tão alto desde a primavera – disse Edmure. – E se essa chuva continuar a cair, subirá ainda mais.

– Há uma ponte mais a frente, perto de Pedravelhas – recordou Catelyn, que tinha atravessado aquelas terras com frequência na companhia do pai. – É mais antiga e menor, mas se ainda estiver lá...

– Desapareceu, senhora – disse Galbart Glover. – Foi levada antes mesmo da de Feirajusta.

Robb olhou para Catelyn.

– Há mais alguma ponte?

– Não. E os vaus estarão intransitáveis. – Tentou vasculhar a memória. – Se não conseguirmos atravessar o Ramo Azul, teremos de rodeá-lo, por Seterrios e pelo Atoleiro da Bruxa.

– Brejos e estradas ruins, quando elas existem – preveniu Edmure. – O avanço será lento, mas suponho que acabaremos chegando.

– Estou certo de que Lorde Walder esperará – disse Robb. – Lothar enviou-lhe uma ave de Correrrio, ele sabe que estamos a caminho.

– Sim, mas o homem é suscetível e desconfiado por natureza – disse Catelyn. – Pode tomar esse atraso como um insulto deliberado.

– Muito bem, vou pedir perdão também por nossa indolência. Serei um rei de dar dó, desculpando-me a cada duas inspirações. – Robb fez uma careta. – Espero que Bolton tenha atravessado o Tridente antes das chuvas começarem. A estrada do rei segue diretamente para o norte, deverá ter uma marcha fácil. Mesmo a pé, deve chegar às Gêmeas antes de nós.

– E quando tiver juntado os seus homens aos dele e casado o meu irmão, o que vem depois? – perguntou-lhe Catelyn.

– Para o norte. – Robb coçou Vento Cinzento atrás de uma orelha.

– Pelo talude? Contra Fosso Cailin?

Ele deu um sorriso enigmático a ela.

– Essa é uma forma de ir – disse, e ela compreendeu por seu tom de voz que nada mais diria. Um rei sensato guarda coisas para si, lembrou a si mesma.

Chegaram a Pedravelhas depois de mais oito dias de chuva contínua e acamparam sobre a colina com vista para o Ramo Azul, dentro de um forte arruinado dos antigos reis do rio. Suas fundações resistiam entre as ervas daninhas, para mostrar onde tinham se erguido as muralhas e as fortalezas, mas o povo local tinha se apropriado da maior parte das pedras havia muito tempo, para levantar seus celeiros, septos e castros. No entanto, no centro daquilo que antigamente teria sido o pátio do castelo, ainda se erguia um grande sepulcro esculpido, meio escondido por mato marrom que chegava à cintura, no meio de um grupo de freixos.

A tampa do sepulcro tinha sido esculpida para retratar o homem cujos ossos jaziam lá dentro, mas as chuvas e os ventos tinham desempenhado seu papel: conseguiam ver que o rei usava uma barba, mas, fora isso, seu rosto era suave e sem expressão, com apenas vagas sugestões de uma boca, um nariz, olhos e da coroa sobre as têmporas. Suas mãos fechavam-se no cabo de um martelo de guerra em pedra que se apoiava sobre o peito dele. Antigamente, o machado de guerra deveria ter tido gravadas runas que revelavam o nome e a história do morto, mas os séculos tinham-nas levado por completo. A própria pedra estava rachada e se desfazendo nos cantos, descolorida aqui e ali por manchas brancas de líquenes em crescimento, ao passo que rosas selvagens subiam pelos pés do rei e chegavam quase ao peito dele.

Foi ali que Catelyn encontrou Robb, em pé e melancólico no crepúsculo que se aprofundava, acompanhado apenas por Vento Cinzento. A chuva havia parado pela primeira vez, e ele estava com a cabeça nua.

– Este castelo tem um nome? – perguntou em voz baixa quando Catelyn se aproximou.

– Todo o povo o chamava de Pedravelhas quando eu era menina, mas sem dúvida teve outro nome quando ainda era uma sede de reis. – Acampara ali uma vez com o pai, a caminho de Guardamar. Petyr também estava conosco...

– Há uma canção – recordou Robb. – “Jenny de Pedravelhas, com as flores nos cabelos”.

– No fim, somos todos só canções. Se tivermos sorte. – Naquele dia brincara de ser Jenny, chegando até a colocar flores nos cabelos. E Petyr fingira ser seu Príncipe das Libélulas. Catelyn não teria mais de doze anos, Petyr era apenas um garotinho.

Robb estudou o sepulcro.

– De quem é esta sepultura?

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