Читаем A Tormenta de Espadas полностью

– Sim – disse Sam –, mas é o frio que traz as criaturas, ou são as criaturas que trazem o frio?

– Que importa? – o machado de Grenn fez voar lascas de madeira. – Vêm juntos, e é isso que interessa. E agora que a gente sabe que o vidro de dragão as mata, talvez nem sequer venham. Talvez agora tenham medo de nós!

Sam quis poder acreditar naquilo, mas parecia-lhe que quando se estava morto, o medo não tinha mais significado do que a dor, o amor ou o dever. Envolveu as pernas com os braços, suando sob as camadas de lã, couro e peles que o cobriam. O punhal de pedra de dragão tinha derretido a coisa pálida na floresta, é verdade... mas Grenn estava falando como se ele fizesse o mesmo às criaturas. Não sabemos se é assim, pensou. Na verdade, não sabemos nada. Gostaria que Jon estivesse aqui. Sam gostava de Grenn, mas não podia falar com ele da mesma forma. Eu sei que Jon não me chamaria de Matador. E poderia conversar com ele a respeito do bebê de Goiva. Mas Jon partira com Qhorin Meia-Mão, e não tinham recebido notícias dele desde então. Ele também tinha um punhal de vidro de dragão, mas terá pensado em usá-lo? Estará morto e deitado congelado em algum desfiladeiro... ou, pior, estará morto e caminhando?

Não conseguia entender por que motivo os deuses quereriam levar Jon e Bannen e deixá-lo aqui, covarde e desajeitado como era. Devia ter morrido no Punho, onde se mijara três vezes e além disso perdera a espada. E teria morrido na floresta, se o Paul Pequeno não tivesse vindo carregá-lo. Gostaria que tudo isso fosse um sonho. Então poderia acordar. Como seria bom acordar no Punho dos Primeiros Homens com todos os irmãos ainda ao seu redor, até mesmo Jon e o Fantasma. Ou, melhor ainda, acordar em Castelo Negro, atrás da Muralha, e ir até a sala comum para comer uma tigela do espesso mingau de trigo do Hobb Três-Dedos, com uma grande colherada de manteiga derretendo no meio e um bocado de mel. Só de pensar nisso, seu estômago vazio ressoou.

“Neve.”

Sam olhou para cima ao ouvir o som. O corvo do Senhor Comandante Mormont circundava a fogueira, batendo o ar com grandes asas negras.

“Neve”, crocitou a ave. “Neve, neve.”

Onde quer que o corvo fosse, Mormont surgiria pouco depois. O Senhor Comandante emergiu de entre as árvores, montado em seu garrano, entre o velho Dywen e o patrulheiro com cara de raposa chamado Ronnel Harclay, que tinha sido promovido ao lugar de Thoren Smallwood. Os lanceiros ao portão gritaram um desafio, e o Velho Urso respondeu com um resmungo de impaciência:

– Quem, nos sete infernos, vocês acham que vem lá? Os Outros levaram seus olhos? – passou a cavalo entre os postes do portão, um dos quais exibia um crânio de carneiro e o outro um de urso, e em seguida puxou as rédeas ao animal, ergueu um punho e assobiou. O corvo desceu ao seu chamado.

– Senhor – ouviu Ronnel Harclay dizer –, temos só vinte e duas montarias, e duvido que metade delas chegue à Muralha.

– Eu sei – resmungou Mormont. – Mas temos de ir mesmo assim. Craster deixou isso claro. – Lançou um relance de olhos para oeste, onde um grupo de nuvens escuras escondia o sol. – Os deuses deram-nos uma folga, mas durante quanto tempo? – Mormont saltou da sela, sobressaltando o corvo, que voltou a levantar voo. Então viu Sam e berrou: – Tarly!

– Eu? – Sam pôs-se desajeitadamente em pé.

Eu?” O corvo pousou na cabeça do velho. “Eu?

– Seu nome é Tarly? Tem algum irmão nas redondezas? Sim, você. Feche a boca e venha comigo.

– Com o senhor? – as palavras jorraram num guincho.

O Senhor Comandante Mormont fulminou-o com o olhar.

– É um homem da Patrulha da Noite. Tente não sujar a roupa de baixo sempre que olho para você. Venha, disse eu. – As botas de Mormont faziam sons úmidos na lama e Sam teve de se apressar para acompanhá-lo. – Tenho pensado nesse seu vidro de dragão.

– Não é meu – disse Sam.

– Está bem, no vidro de dragão de Jon Snow. Se punhais de vidro de dragão são aquilo de que necessitamos, por que é que só temos dois? Cada homem na Muralha devia ser armado com um no dia em que profere suas palavras.

– Não sabíamos...

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