Читаем A Tormenta de Espadas полностью

– Para cima e para baixo – suspirava às vezes Meera enquanto caminhavam – e depois para baixo e para cima. E depois outra vez para cima e para baixo. Detesto estas suas malditas montanhas, Príncipe Bran.

– Ontem disse que as adorava.

– Ah, e adoro. O senhor meu pai tinha me falado de montanhas, mas nunca tinha visto nenhuma até agora. Adoro-as mais do que consigo expressar.

Bran fez uma careta para ela.

– Mas acabou de dizer que as detestava.

– Por que é que não pode ser as duas coisas? – Meera esticou a mão para apertar o nariz de Bran.

– Porque são coisas diferentes – insistiu ele. – Como a noite e o dia, ou o gelo e o fogo.

– Se o gelo pode queimar – disse Jojen em sua voz solene –, então o amor e o ódio podem se juntar. Montanha ou pântano, não importa. A terra é só uma.

– Uma – concordou a irmã –, mas enrugada demais.

Os vales de altitude raramente lhes faziam o favor de correr de norte para sul, de modo que era frequente verem-se seguindo ao longo de léguas na direção errada, e às vezes eram forçados a voltar.

– Se tivéssemos seguido a estrada do rei, a esta alutra já poderíamos estar chegando à Muralha – Bran costumava lembrar aos Reed. Queria encontrar o corvo de três olhos, para poder aprender a voar. Repetira isso meia centena de vezes, até que Meera começou a caçoar dele, proferindo as palavras ao mesmo tempo que ele. – Se tivéssemos seguido a estrada do rei também não teríamos tanta fome – começou então a dizer.

Lá embaixo, nas colinas, não tinham tido falta de alimentos. Meera era uma boa caçadora, e melhor ainda em arrancar peixes dos riachos com a sua lança de três dentes para caçar rãs. Bran gostava de observá-la, admirando a sua rapidez, o modo como arremessava a lança e a puxava de volta com uma truta prateada contorcendo-se na ponta. E também tinham Verão para caçar para eles. O lobo gigante desaparecia quase todas as noites quando o sol se punha, mas estava sempre de volta antes do nascer do dia, normalmente com alguma coisa nas mandíbulas, um esquilo ou uma lebre.

Mas ali, nas montanhas, os riachos eram menores e gelados, e a caça, mais escassa. Meera ainda caçava e pescava quando podia, mas era mais difícil, e certas noites nem o Verão encontrava presas. Era frequente irem dormir de barriga vazia.

Mas Jojen continuava teimosamente determinado a permanecer bem longe das estradas.

– Onde você encontra estradas, encontra viajantes – dizia, com aquela sua maneira de falar –, e os viajantes têm olhos para ver e bocas para espalhar histórias sobre o rapaz aleijado, seu gigante e o lobo que caminha com eles. – Ninguém era capaz de ser tão teimoso quanto Jojen, portanto avançavam com dificuldade por território bravio, e todos os dias iam um pouco mais alto, e caminhavam um pouco mais para o norte.

Havia dias em que chovia, outros eram ventosos, e uma vez foram pegos por uma saraivada tão forte que até Hodor berrou de medo. Nos dias sem nuvens, frequentemente tinham a impressão de que eram as únicas criaturas vivas no mundo inteiro.

– Ninguém vive aqui em cima? – perguntou certa vez Meera Reed, enquanto rodeavam um maciço de granito tão grande quanto Winterfell.

– Há gente – disse-lhe Bran. – Os Umber vivem principalmente a leste da estrada do rei, mas pastoreiam suas ovelhas nos prados de altitude durante o verão. Há os Wull a oeste das montanhas ao longo da Baía de Gelo, os Harclay atrás de nós, nas colinas, e os Knott, Liddle e Norrey e até alguns Flint aqui em cima, nas zonas altas. – A mãe da mãe de seu pai fora uma Flint das montanhas. A Velha Ama certa vez dissera que era o sangue dessa antepassada que levou Bran a gostar tanto de escalar antes da queda. Mas ela tinha morrido muitos, e muitos e muitos mais anos antes de ele nascer, até antes do pai nascer.

– Wull? – disse Meera. – Jojen, não houve um Wull que acompanhou o pai durante a guerra?

– Theo Wull – Jojen ofegava devido à subida. – Costumavam chamá-lo de Baldes.

– É o símbolo deles – disse Bran. – Três baldes marrons sobre azul, com um bordado de xadrez branco e cinza. Lorde Wull veio uma vez a Winterfell, para prestar vassalagem e conversar com o pai, e ele tinha os baldes no escudo. Mas não é um verdadeiro lorde. Bem, é, mas chamam-no só de o Wull, e há também o Knott, o Norrey e o Liddle. Em Winterfell, nós os chamávamos de lordes, mas seus povos não os chamam.

Jojen Reed parou para recuperar o fôlego.

– Acha que essa gente das montanhas sabe que estamos aqui?

– Eles sabem. – Bran avistara-os observando; não com os próprios olhos, mas com os olhos mais sensíveis de Verão, que deixavam escapar muito pouco. – Não nos incomodarão se não tentarmos fugir com suas cabras ou cavalos.

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