Читаем A Tormenta de Espadas полностью

– Nenhuma criança devia ser obrigada a aguentar isso – disse Harwin quando ela terminou. – Ouvimos dizer que a Montanha perdeu metade de seus homens no Moinho de Pedra. Pode ser que esse Cócegas agora esteja flutuando Ramo Vermelho abaixo, com peixes mordiscando sua cara. Se não, bem, é mais um crime pelo qual hão de responder. Ouvi sua senhoria dizer que esta guerra começou quando a Mão lhe ordenou que levasse a justiça do rei a Gregor Clegane, e é assim que pretende que termine. – Deu-lhe uma palmadinha de encorajamento no ombro. – É melhor que monte, senhora. É um longo dia de viagem até o Solar de Bolotas, mas quando terminarmos teremos um teto sobre nossa cabeça e sopa quente na barriga.

E foi um longo dia de viagem, mas ao anoitecer vadearam um riacho e chegaram ao Solar de Bolotas, com suas muralhas exteriores de pedra e a grande fortaleza de carvalho. Seu senhor andava longe, lutando na companhia do senhor dele, Lorde Vance, e deixara os portões do castelo fechados e trancados em sua ausência. Mas a senhora sua esposa era uma velha amiga de Tom Sete-Cordas, e Anguy dizia que um dia tinham sido amantes. Anguy viajava com frequência ao lado de Arya; de todos, era quem mais se aproximava de sua idade, salvo Gendry, e contava-lhe histórias engraçadas sobre a Marca de Dorne. Mas nunca a enganou. Ele não é meu amigo. Só fica por perto para me vigiar e certificar-se de que não voltarei a fugir. Bem, Arya também sabia vigiar. Syrio Forel ensinara-lhe a fazer isso.

A Senhora Smallwood deu as boas-vindas aos fora da lei com bastante gentileza, embora lhes tenha dado um sermão por arrastarem uma garotinha pela guerra. Ficou mais irada ainda quando Limo deixou escapar que Arya era bem-nascida.

– Quem vestiu a pobre criança com esses farrapos dos Bolton? – exigiu saber. – Esse símbolo... há muitos homens que a enforcariam em meio segundo por usar um homem esfolado no peito. – Arya foi prontamente levada para cima, forçada a entrar numa banheira, e mergulhada em água escaldante. As aias da Senhora Smallwood esfregaram-na com tanta força que Arya se sentiu como se elas a estivessem esfolando. Até derramaram uma coisa qualquer com um fedor adocicado de flores.

E depois, insistiram para que se vestisse com coisas de menina, meias marrons de lã, uma combinação leve de linho e, por cima disso, um vestido verde-claro com bolotas bordadas em fio castanho por todo o corpete, e mais bolotas ao longo da bainha da saia.

– Minha tia-avó é septã num convento em Vilavelha – disse a Senhora Smallwood enquanto as mulheres atavam o vestido ao longo das costas de Arya. – Mandei minha filha para lá quando a guerra começou. Quando voltar, certamente já estará grande demais para usar essas coisas. Gosta de dançar, filha? A minha Carellen é uma ótima dançarina. Também canta lindamente. O que é que você gosta de fazer?

Arya arrastou os pés nas esteiras.

– Trabalhos de agulha.

– São muito relaxantes, não são?

– Bem – disse Arya –, da maneira como eu os faço, não.

– Não? Sempre os achei relaxantes. Os deuses oferecem a cada uma de nós pequenos dons e talentos, e é sua intenção que os usemos, diz sempre a minha tia. Qualquer ato pode ser uma prece, se for desempenhado tão bem quanto formos capazes. Não é um pensamento adorável? Lembre-se dele da próxima vez que trabalhar com a agulha. Trabalha todos os dias?

– Trabalhava até perder a Agulha. A nova não é tão boa.

– Em tempos como estes, todos temos de nos arranjar o melhor possível. – A Senhora Smallwood ajeitou o corpete do vestido. – Agora já parece uma jovem senhora como deve ser.

Não sou uma senhora, Arya quis lhe dizer, sou uma loba.

– Não sei quem você é, filha – disse a mulher –, e talvez ainda bem que não saiba. Alguém importante, temo. – Alisou o colarinho de Arya. – Em tempos como estes, é melhor ser insignificante. Bem que gostaria de poder ficar com você aqui. Mas não seria seguro. Tenho muralhas, mas homens insuficientes para defendê-las. – Suspirou.

O jantar estava sendo servido no salão quando Arya entrou, toda lavada, penteada e vestida. Gendry deu uma olhada e riu tanto que o vinho saiu por seu nariz, até que Harwin lhe deu uma forte palmada na orelha. A refeição foi simples, mas nutritiva; carneiro e cogumelos, pão escuro, purê de ervilhas e maçãs cozidas com queijo amarelo. Depois da refeição e de os criados terem sido mandados embora, Barba-Verde baixou a voz para perguntar se sua senhoria teria notícias do senhor do relâmpago.

– Notícias? – ela sorriu. – Estiveram aqui não faz nem quinze dias. Eles e mais uma dúzia, pastoreando ovelhas. Quase não acreditei nos meus olhos. Thoros deu-me três em agradecimento. Comemos uma esta noite.

– Thoros pastoreando ovelhas? – Anguy soltou uma gargalhada.

– Admito que foi uma estranha visão, mas Thoros afirmou que, sendo sacerdote, sabia como cuidar de um rebanho.

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